Imagens originais usadas como base para o remix das colagens finais:
Meus comentários sobre o Zine:
O Zine foi dividido em três partes, em que cada parte faz referência a uma parte do livro "Lições de Arquitetura" de Herman Hertzberger: A - Domínio Público; B - Criando Espaço, Deixando Espaço; C - Forma Convidativa.
Na primeira parte, o Viaduto Santa Tereza é retratado no fundo da colagem, onde uma diversidade de pessoas tomam conta do local. Minha intenção era mostrar como inúmeras pessoas de diferentes grupos sociais podem ocupar um ambiente público para realizarem programas distintos, como jogar xadrez, ler, comer, beber ou conversar. Essa ideia é fortemente atrelada ao primeiro capítulo do livro e eu trouxe um trecho para reforçar esse aspecto da importância que os projetos arquitetônicos e urbanos possuem em influenciar as pessoas a ocupação da área pública.
Na segunda parte, minha ideia principal foi retratar a megaestrutura "Viaduto Habitável" de Le Corbusier no fundo e colar diferentes habitações na área que ficariam os apartamentos, assim, representando a ideia apresentada no capítulo de que uma estrutura precisa dar liberdade aos indivíduos para construírem os seus ambientes da forma que acharem melhor, retirando a monotonia dos edifícios e os deixando com mais diversidade. Dessa maneira, eu utilizei a ferramenta de vetores do Affinity para desenhar os contornos da estrutura e sobrepus distintas residências nela. Além disso, eu implementei a escada do Mercado Novo na parte de baixo da imagem e colei pessoas realizando tarefas diferentes, para destacar a ideia abordada por Herman Hertzberger de que um ambiente pode ter várias funções. Ademais, adicionei o mapa urbano de Belo Horizonte e de Brasília (antes da mudança da curva do Eixão, era planejado para ser uma rodovia reta), que representa as grelhas, que também foram discutidas nessa parte do livro.
Na parte C: Forma Convidativa do Zine, minha ideia foi trazer contextos e ambientes que estão presentes em nosso cotidiano, o que eu mantive, também, em todo o projeto, priorizei locais conhecidos aqui de Belo Horizonte e ainda trouxe uma fragmento da minha cidade natal, Brasília, ao introduzir o seu antigo planejamento urbano na segunda página. Assim, a ideia era transformar esses ambientes, para que se reflita sobre a importância de estimular o uso ativo e a apropriação pelos usuários desses cenários. Isso é justamente o que é discutido no último capítulo do livro.
Por fim, a capa é um elemento essencial para o entendimento de todo o Zine. Eu utilizei essa imagem impactante de um garoto em uma janela observando a Rocinha, no Rio de Janeiro, porém alternei o fundo pelo famoso edifício residencial de Le Corbusier localizado em Berlim, que simboliza muitas das teorias que foram citadas no livro de Herman Hertzberger. Diante disso, essa comparação tem o intuito de criar um contraste e uma reflexão no leitor: podemos tratar todas essas ideias como verdades absolutas? Isso pode e deve ser aplicado em todo e qualquer cenário? Ao se analisar bem, pode-se perceber que, embora sejam conceitos de suma relevância para a arquitetura e para o urbanismo, em muitos contextos esses modelos não são ideais e, muitas vezes, também trazem outros problemas. Um exemplo disso, é justamente Brasília, que é uma cidade extremamente "Hertzbergeriana" e que, com isso, reflete grandes problemas de transporte, já que um morador depende-se completamente de seu próprio automóvel para se locomover, e, mesmo que haja muitos pilotis na metrópole, atualmente, eles quase não são apropriados pelo público, assim, não possuindo uso ativo. Além disso, é importante ressaltar, também, que a megaestrutura "Viaduto Habitável" de Le Corbusier foi planejada para ser construída no Rio de Janeiro, o que é outro ponto a ser refletido pelo leitor.
Portanto, as páginas do Zine, assim como a colagem abstrata, possuem formas geométricas que remetam às da bandeira do Brasil. Sendo assim, criando a ideia de que, para primeiro solucionar problemas urbanos e arquitetônicos do país, é preciso descontruir cada cenário, entendendo suas particularidades e necessidades, assim, não tomando dogmatizando uma ideia, o que pode, como já foi visto em Brasília, ocasionar empecilhos.
Em geral eu tive uma experiência muito positiva na construção do Zine. Com esse trabalho pude entender sobre a impressão de papeis e ter mais domínio sobre os softwares de edição gráfica. No final, eu escolhi o papel fotográfico, que possui uma qualidade visual melhor, porém perde um pouco da mobilidade do Zine. Então, eu decidi que iria perder um pouco da mobilidade do papel para ter uma qualidade de imagem melhor para ele ser mais chamativo. Em suma, gostei muito do resultado final e estou animado para os próximos trabalhos!

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